
A dica é: empreenda e aprenda
O mercado de empreendedorismo no Brasil nunca esteve tão aquecido. Diariamente acontecem novas aquisições, novas startups são lançadas, eventos e propostas surgem e tudo isso fortalece e auxilia no desenvolvimento do mercado.
Ter uma boa ideia até pode ser fácil, mas ela só se tornará incrível mesmo se for executada. É aí que vem a parte mais complicada, pois muitos desistem ou não conseguem encontrar as pessoas certas para fazer acontecer.
Pois bem, já que acabamos de anunciar as 8 finalistas do SP Beta que estão em early stage, achamos interessante bater um papo com o pessoal do Resolva.me, rede de recomendações qualificada para serviços, para que eles pudessem deixar algumas dicas e também compartilhar as experiências, afinal eles ralaram muito para conquistar espaço no mercado.
A empresa surgiu como protótipo em meados de 2011, mas foi no final do ano que a startup começou a tomar forma de empresa e ganhou dedicação integral dos sócios fundadores. Em 2012, Pedro Sorrentino, Rodrigo Vitulli, Juliano Martinez e Edgard Zavarezzi anunciaram sociedade com o Buscapé Company, uma das maiores empresas de internet da América Latina.
O speaker da empresa foi o Juliano MArtinez. Enjoy!
Como foi o processo de criação da startup, quais foram as maiores dificuldades?
Como já pressupõe o nome, qualquer startup ainda está em processo de criação, portanto é muito difícil analisar de forma macro como foi/está sendo nosso processo de criação. Começamos praticamente como todas as Startups, com um ideal, que logo se transformou em uma ideia. A partir de então começaram os brainstorms de produto para deixar essa ideia ainda mais refinada e dar sentido ao objetivo.
Uma das primeiras dificuldades é encontrar as pessoas certas para juntar um time. Esse é um processo delicado, que envolve conhecimento teórico, prático, experiência profissional e principalmente compatibilidade de personalidade entre os participantes do possível time. No nosso caso, felizmente, foi bem simples: todos os sócios haviam tido experiências profissionais positivas com, pelo menos, um membro do grupo. O primeiro encontro, portanto, foi uma explosão de ideias em comum e empolgação em torno da empresa recém-nascida.
Depois desse processo, sem dúvida, conciliar o emprego com as atividades necessárias para a criação de um produto promissor é o maior desafio. São madrugadas em claro definindo modelo de negócio, formato do produto, layout, banco de dados, comunicação visual etc., etc.
Como foi a questão de um dos sócios estar fora do Brasil? Qual foi a rotina estabelecida para o andamento do projeto? Quais foram os passos para ir em busca de investidores? Quais foram as dificuldades?
Felizmente conseguimos contornar o fato de um dos sócios não residir no Brasil de forma muito positiva. Ao contrário do que possa parecer, isso trouxe ainda mais organização e rigor para os encontros quase diários no Skype e arquivos de edição compartilhada. Nos primeiros meses, os encontros presenciais entre os sócios, mesmo dos que residem em São Paulo, foram raros. Isso, de maneira nenhuma, impediu o andamento das atividades. Aliás, foi bem o contrário disso.
Quanto à rotina, nós estabelecemos reuniões semanais para o balanço das atividades. As reuniões tinham, em média, duas horas de duração. Paralelamente, e-mails e “skype calls” ocorriam quase que diariamente.
Sabíamos do potencial do nosso mercado e sabíamos que investidores procuravam oportunidades para explorá-lo no nível digital (algo que acontecia de forma superficial). Procuramos, então, possíveis investidores que já estavam estabelecidos no mercado brasileiro explorando outras frentes e também empresas estrangeiras que trilhavam um caminho parecido com o que almejamos. Muitas vezes já tínhamos contatos dentro dessas empresas. Em outras, fomos procurados por pessoas que se interessaram no projeto.
A principal dificuldade foi a falta de cultura do mercado brasileiro com as práticas comum de investimento que mercados como o norte-americano possuem. Pode parecer pretensão uma startup dizer algo sobre o mercado brasileiro, mas a realidade é que as empresas nacionais simplesmente estão engatinhando no que diz respeito a investimento em futuras grandes empresas. Felizmente, iniciativas como a do Buscapé, como Desafio “Sua Ideia Vale Um Milhão”, nos prova de que nem todas as empresas brasileiras pensam dessa forma.
Como foi a negociação com o BuscaPé? Como surgiu esta oportunidade e o que mudou desde então?
A negociação com o Buscapé aconteceu após o desafio Sua Ideia Vale Um Milhão. Fomos uma das empresas finalistas (dentre 800). Não levamos o prêmio na final, porém continuamos conversas que resultaram em um acordo e, posteriormente, no aporte.
Com o Buscapé, temos o suporte de uma grande empresa, que, um dia, já foi uma startup, e que já percorreu o caminho das pedras. Isso é muito positivo. Além disso, contamos diariamente com os conselhos e sugestões de grandes profissionais do e-commerce no Brasil. Isso é mais valioso que o aporte, em muitos casos.
Quais dicas vocês dariam para quem está com a empresa já criada, mas ainda está em busca de investimentos?
Procurar por um investidor que agregue conhecimento, e não somente pensar no dinheiro. Não é dinheiro que faz um empresa, mas um bom produto, planejamento, feeling, bons contatos comerciais e relevância no mercado. Muitas vezes, somente um parceiro já relevante é que pode ajudar. Outra dica é: não priorize investimento em detrimento de produto. São etapas complementares e dissociadas. Tenha um produto mínimo no ar, para depois pensar em investidor.
Quais dicas vocês dariam para quem ainda está no plano das ideias?
Não ter receio de testar e tentar. Aprender e entender as principais práticas do mercado também é importante, mas o intuito é fazer o benchmark de quem já faz algo parecido e queimar os neurônios para melhorar. Juntar um grande time é sempre fundamental para refinar as ideias.
Na sua opinião, quais são os prós e contras de empreender?
O empreendedor DEVE ser movido por uma vontade muito grande em resolver problemas. Seja os próprios problemas ou de outras pessoas. Depois fazer disso um ideal. Quando essa regra é seguida à risca, os contras são praticamente anulados. Claro, ainda existem os riscos de um gasto dispendioso sem o retorno esperado de recursos financeiros, a possibilidade de a empresa não dar certo por qualquer motivo. Entretanto, o ponto é: se a empresa tem um propósito, é organizada em torno de uma ideia e há motivação entre os funcionários, a chance de dar certo é sempre maior.
A principal realização de um empreendedor é ver todo o esforço ser revertido em um produto ou serviço que realmente é importante. É ter a certeza de que as próprias convicções e o feeling de negócios é apurado e que você faz a diferença.
Qual a sua frase empreendedora?
“Não é trabalho, é vocação”
O que não pode faltar no dia-a-dia de uma startup?
Google Docs, DropBox, Skype e um quadro de Scrum (pode ser virtual) e, principalmente, comprometimento. Isso é essencial.
O que os inspira a continuar empreendendo?
A ideia de que nossa empresa vai fazer a diferença e ajudar milhões de pessoas no mundo. Isso é muito motivador. Percorrer os passos de grandes empreendedores, Gates, Jobs, Bezos, Dell, Zuckerberg, também é muito motivador. Essas pessoas deram sua contribuição para fazer um mundo melhor, e, por conta de muito trabalho e esforço, atingiram status que lhes permitiram não se preocupar com dinheiro e outras coisas que preocupariam qualquer pessoa ao longo da vida profissional. Isso é inspirador. Ser reconhecido pelo trabalho, por algo que você mesmo criou, é inspirador.